Review | Após três anos de espera, "Profecia do Inferno" não se beneficia muito da 2ª temporada
- Nathalia Jesus
- 25 de out. de 2024
- 3 min de leitura
O drama coreano da Netflix foi sucesso de crítica e público em sua 1ª temporada e, agora, chegou com mais seis episódios

(Divulgação/Netflix)
Após três anos de muita expectativa e espera, "Profecia do Inferno" (Hellbound) retornou para a 2ª temporada no catálogo da Netflix. A trama de Yeon Sang Ho está de cara nova, literalmente: como Yoo Ah In foi acusado de uso de drogas e publicamente hostilizado pelos cidadãos coreanos, o drama prosseguiu com Kim Sungcheol no papel de Jung Jinsu, o líder da seita Nova Verdade. O gancho que justificou a continuação da série foi a volta dos "pecadores" abatidos pelos Executores, mas a ideia não avança tanto quanto esperávamos.
A nova parcela de episódios foca em dois personagens-chave para atrair nossa atenção: Jung Jinsu, o líder religioso que voltou do Inferno sem que seus súditos sequer tenham sido informados de sua ida, e Park Jungja (Kim Shin Rok), "pecadora" que foi envergonhada e teve sua execução transmitida para milhares de pessoas. Enquanto ele segue secretamente atormentado pela imagem dos Executores, a mulher consegue prever mortes e está prestes a se tornar uma entidade na mão de órgãos políticos.
Além disso, também vemos a briga ideológica entre as seitas Arrowhead e Nova Verdade se intensificarem, assim como uma breve passagem sobre os efeitos de ambas na vida dos fanáticos. Mas, de certa forma, apesar de tentar desbravar novos ângulos, a sensação que passa é a de que a série não consegue sair do lugar em que foi deixada em 2021, e isso é uma pena, já que havia uma gama de possibilidades a serem exploradas.
"Profecia do Inferno" se perde em uma temporada lenta
Um dos pontos altos de 2ª temporada de "Profecia do Inferno" é a construção da atmosfera de tensão e suspense, que ainda consegue nos manter atentos quando a história, em si, está andando em ritmo lento. Quando estamos sendo atraídos pelo enredo de um personagem que sofre pelo luto de sua esposa fanática, ou de uma mulher implacável que, inescrupulosamente, tenta tirar vantagem das configurações do mundo atual, a quebra de expectativas vem logo a seguir: voltamos ao morno com um protagonista que não é mais tão atrativo quanto antes. E não, isso não é culpa da troca de atores.
Não há o que reclamar de Kim Sungcheol na pele de Jung Jinsu. Ele conseguiu imprimir bem a aura fria, mas espirituosa, que Yoo Ah In nos apresentou na primeira temporada. Foi uma substituição bem feita, algo raro quando falamos em troca de atores protagonistas, na qual o intérprete não se conteve em ser a sombra do astro anterior, conseguindo também colocar sua própria assinatura nessa nova fase de Jinsu. No início, você vai estranhá-lo, mas não demorará muito até que se acostume.

(Divulgação/Netflix)
Um dos maiores problemas da continuação da tão aguardada série é que a história gira em círculos, quase como se fosse uma versão de bastidores da primeira temporada. Quando, finalmente, apresenta novos caminhos, "Profecia do Inferno" peca ao dar muita importância para situações das quais já não nos importamos tanto. Até mesmo o encontro de Park Jungja e Jung Jinsu, os dois ressuscitados, que aqueceu nossas expectativas ao longo dos episódios, vai perdendo o frescor — e, consequentemente, a nossa atenção.
De qualquer forma, a espera valeu a pena?
Antes de os K-dramas começarem a ganhar força nas plataformas internacionais de streaming, segundas ou — que o céu nos livre — terceiras temporadas não eram tão comuns nas produções televisivas coreanas. Somada à atual tendência de demorar séculos para estrear novos episódios, "Profecia do Inferno" perdeu muito com essa continuação. Às vezes, é melhor ficar se perguntando "E se?" após assistir a um final inconclusivo.
Apesar de trazer uma conclusão para a história, a segunda temporada do drama sobrenatural não acrescentou nada realmente relevante à trama, exceto o sentimento de que tudo poderia ter sido melhor. Se "Profecia do Inferno" era frequentemente lembrada como uma obra-prima, a percepção deixada pelos novos episódios será outra.

(Divulgação/Netflix)
A ideia de esperar três anos por uma temporada de seis episódios é ultrajante, mas, felizmente, o K-drama consegue defender por si mesmo a demora de todo esse processo: os efeitos visuais e sonoros continuam impactantes, adicionando emoção a um roteiro monótono e trazendo aquela forte impressão da série que "Profecia do Inferno" costumava ser.
Lembro de ter dito, em outra review, que seria uma “decepção imperdoável” se a Netflix não lançasse uma nova temporada de "Profecia do Inferno. Retiro aqui minhas palavras anteriores. Cuidado com o que vocês desejam!
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